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“Você faz L ou ‘arminha’?”: brasileiros buscam o diálogo no projeto Brasil Fala

08/07/2024

Por Marlice Pinto Vilela

Reproduzido da Gazeta do Povo

“Você faz L ou ‘arminha’ com os dedos?”. Essa foi uma pergunta que a paranaense Fabiane Mottim ouviu de uma amiga de infância durante uma conversa sobre a política brasileira. Essa e outras situações de mal-estar vividas pela publicitária de 41 anos a influenciaram a participar no projeto “O Brasil Fala”. Wilson Demetrio, de 76 anos, que acompanha de perto a política desde a época do regime militar, também está dentro da iniciativa. Ele acredita que a proposta é uma forma de ajudar a sociedade brasileira a sair deste clima de polarização, com dois extremos que não se comunicam.

Com a proposta de conectar 10 mil brasileiros, o projeto oferece a oportunidade de pessoas conversarem sobre temas nas quais possuem opiniões divergentes. Inspirado no “My Country Talks” (“Meus país fala”), a iniciativa visa incentivar o diálogo, o que ajuda a fomentar a democracia.

Como participar?

Quem quiser ter a oportunidade de conversar com alguém que pensa diferente tem até o dia 15 de agosto para se inscrever no projeto (neste link ou no formulário acima). Após a inscrição, um algoritmo será usado para definir um outro interessado com opiniões diferentes, além de data e hora para a conversa acontecer. Depois do “match”, os organizadores entrarão em contato para informar sobre o encontro online entre os dois participantes.

 Organizado pelo Instituto Sivis e por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford, a plataforma fornecerá um ambiente seguro para que a conversa flua naturalmente. Em contrapartida, os participantes terão a liberdade de deixar a plataforma a qualquer momento.

Polarização política preocupa participantes

Fabiane Mottim ficou assustada ao descobrir que um colega terminou o relacionamento com uma menina logo após conhecer os familiares da garota e perceber que eles tinham opiniões políticas diferentes das dele. “Eu circulo entre vários grupos e percebo que os contornos dessas bolhas ideológicas em que a gente vive estão ficando cada vez mais rígidos. Está cada vez mais difícil você conseguir a habilidade para se comunicar e se conectar com pessoas que pensam de forma diferente”, avalia Mottim.

O economista aposentado Wilson Demetrio está na expectativa de ter um bom momento de troca de ideias através do projeto. Demetrio acompanha a política desde que cursava economia na Universidade de São Paulo (USP) e considera que, no passado, era mais comum encontrar um cenário político com três ou quatro candidatos fortes na disputa.

 Demetrio conta que nos últimos anos alguns amigos acabaram se afastando devido a opiniões políticas diferentes. “Nós precisamos sair dessa polarização atual. É o grande desafio do nosso povo. Acho que é uma questão educacional, as pessoas entendem cada vez menos a sua real participação neste cenário”, afirma.

 Pesquisa mostra que 83% dos brasileiros enxergam o país dividido

 “Hoje, a gente é refém dos algoritmos das redes sociais”, analisa Mottim. “Eu acho que a gente não vai conseguir sair dessa polarização extrema como sociedade sem fazer um esforço consciente de abertura e reconexão. Foi por isso que decidi participar do projeto O Brasil Fala”, acrescenta.

 Segundo uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest em fevereiro, 83% dos brasileiros enxergam o Brasil como mais polarizado. O levantamento mostrou um crescimento de quase 20 pontos percentuais em relação a outro realizado quatro meses antes, na qual 64% das pessoas consideravam o país “mais dividido”.

 A publicitária vê a oportunidade como única e, por isso, encoraja outros brasileiros a se inscreverem para participar da iniciativa. “Presume-se que quem está nesse projeto está disposto a conversar abertamente. Eu acho que é a oportunidade de estar em um espaço colaborativo bem interessante para a gente praticar o diálogo, algo que não é tão fácil”, incentiva.

 Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/o-brasil-fala-expectativas-participantes/
Copyright © 2024, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

 

 

 

 

 

 

 

Confira a publicação original

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